
As investigações sobre o desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, entraram em uma nova fase após a prisão temporária da empresária apontada como a última pessoa a ter contato com a vítima. Mais de duas semanas depois do desaparecimento, a Polícia Civil concentra esforços na análise de provas técnicas, enquanto novas informações reveladas nos últimos dias ajudam a reconstruir os passos da principal investigada e ampliam as hipóteses apuradas no inquérito.
Berenice desapareceu na tarde de 30 de junho, após deixar a pousada onde trabalhava, na região norte de Ubatuba. Segundo a investigação, ela havia sido demitida naquele dia e recebeu os valores referentes à rescisão do contrato de trabalho.
A partir desse momento, a Polícia Civil passou a reconstruir, minuto a minuto, os últimos deslocamentos da cozinheira.
A última pessoa a ver Berenice
De acordo com a investigação, a empresária, proprietária da pousada, foi a última pessoa a ter contato comprovado com Berenice. Em depoimento, ela afirmou que ofereceu uma carona à cozinheira após o encerramento do expediente e a deixou em outro ponto da cidade. A versão, no entanto, passou a ser questionada conforme surgiram novos elementos durante as diligências. Contradições entre depoimentos, imagens, perícias e outros dados técnicos levaram a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião a representar pela prisão temporária da empresária, medida autorizada pela Justiça e cumprida na última sexta-feira (10).
Câmeras registraram viagem ao Rio de Janeiro
Um dos principais elementos incorporados à investigação é a análise de imagens de câmeras de monitoramento instaladas na Rodovia Rio-Santos. De acordo com informações obtidas pela Polícia Civil e divulgadas por veículos de imprensa, a caminhonete utilizada pela empresária foi registrada seguindo em direção ao estado do Rio de Janeiro por volta das 17h do dia 30 de junho, poucas horas após o desaparecimento de Berenice. As mesmas câmeras flagraram o veículo retornando a Ubatuba aproximadamente às 22h.
O trajeto passou a ser tratado como um dos pontos centrais da investigação e motivou novas diligências da Polícia Civil em municípios localizados na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro. Os investigadores buscam esclarecer o motivo da viagem, o percurso realizado e se a vítima chegou a estar no veículo durante esse deslocamento.
Operação apreendeu veículos, celulares e documentos
Na operação realizada na última sexta-feira, policiais civis cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços ligados à empresária. Foram apreendidos veículos, aparelhos celulares, computadores, documentos e outros materiais considerados relevantes para o inquérito. Todo o conteúdo está sendo submetido à perícia.
Os investigadores também analisam registros telefônicos, dados de localização, imagens de câmeras de segurança e outras provas que possam ajudar a reconstruir os acontecimentos do dia do desaparecimento.
Perícias são a principal aposta da investigação
Embora detalhes do inquérito permaneçam sob sigilo, a Polícia Civil tem concentrado grande parte do trabalho na produção de provas técnicas. Os veículos utilizados pela investigada passaram por perícias especializadas, enquanto os equipamentos eletrônicos apreendidos serão submetidos à extração de dados. Além disso, os investigadores seguem confrontando depoimentos com registros de monitoramento e informações obtidas durante as diligências.
Investigação passa a considerar possível motivação passional
Nos primeiros dias da apuração, a principal linha investigativa estava relacionada às circunstâncias da demissão de Berenice e ao encerramento do vínculo empregatício com a empresária. Entretanto, reportagens divulgadas nesta segunda-feira (13) apontam que a Polícia Civil passou a analisar uma nova hipótese para a motivação do crime. Segundo informações divulgadas pela Record TV, investigadores também trabalham com a possibilidade de que o desaparecimento esteja relacionado a um crime de motivação passional. A hipótese, no entanto, ainda está em fase de apuração e não foi oficialmente confirmada pela Polícia Civil, que mantém o inquérito sob sigilo e evita divulgar detalhes que possam comprometer as investigações.
Família aguarda respostas
Enquanto o trabalho policial avança, familiares de Berenice seguem mobilizados em busca de informações sobre o paradeiro da cozinheira. Desde o desaparecimento, campanhas foram realizadas nas redes sociais e o caso ganhou repercussão estadual e nacional, sendo destaque em programas de televisão e portais de notícias. Mesmo com a prisão da principal investigada, a maior pergunta continua sem resposta: onde está Berenice?
A expectativa da Polícia Civil é de que a conclusão das perícias, a análise do material apreendido e as novas diligências permitam esclarecer o que aconteceu após a cozinheira deixar o trabalho na tarde de 30 de junho.
Até o fechamento desta reportagem, Berenice Ramos de Aguiar Faria continuava desaparecida e as investigações prosseguiam sob responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião.