Gestão administrativa e cenário político pautam entrevista com presidente da Câmara de Caraguatatuba

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Rafael Rodrigues | Especial para a Rádio Web Litoral 

A reorganização administrativa da Câmara de Caraguatatuba e o cenário político da cidade estiveram entre os temas abordados pelo presidente do Legislativo, Antonio Carlos da Silva Junior (Podemos), em entrevista ao quadro Conexão Política, da Rádio Web Litoral.

A conversa foi ao ar na segunda-feira (2), um dia após a aplicação das provas do concurso público da Câmara, organizado pela Fundação Vunesp. Segundo o presidente, o processo seletivo faz parte de uma série de medidas adotadas no início da ge9stão para reestruturar administrativamente a Casa.

Reforma administrativa e concurso público

Durante a entrevista, o presidente da Câmara afirmou que encontrou um Legislativo com forte dependência de servidores cedidos pela prefeitura. Ao todo, eram nove funcionários nessa condição.

Para enfrentar o problema, a presidência promoveu uma reforma administrativa e abriu concurso público para formação de quadro efetivo.

As provas foram aplicadas no domingo (1º) e registraram 17.118 inscritos, com cerca de 11 mil candidatos presentes.

“A Câmara precisava de servidores de carreira. Isso garante autonomia administrativa”, afirmou.

O presidente também destacou a devolução de R$ 5 milhões ao orçamento municipal, valor resultante da economia de recursos do duodécimo repassado ao Legislativo.

Trajetória política

Publicitário e pós-graduado em Gestão Pública, Antonio Carlos Junior cumpre atualmente seu segundo mandato como vereador. Foi eleito em 2021 com 1.435 votos e reeleito com 1.450 votos.

Antes de chegar ao Legislativo, exerceu o cargo de vice-prefeito de Caraguatatuba por dois mandatos, entre 2009 e 2016.

Durante a entrevista, o vereador relembrou ainda sua passagem pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em 2019, quando apresentou proposta que alterou a nomenclatura da merenda escolar para “Alimentação Escolar com Critérios”, estabelecendo parâmetros nutricionais mais definidos.

Legado político

Na conversa, o presidente da Câmara também comentou a trajetória do ex-prefeito Antonio Carlos da Silva, seu pai, que assumiu a administração municipal em 1997.

Segundo ele, aquele período foi marcado por um processo de reorganização administrativa da cidade.

“O meu pai assumiu a prefeitura em um momento muito difícil para Caraguatatuba. A cidade tinha problemas financeiros e estruturais importantes”, afirmou.

De acordo com o parlamentar, a gestão daquele período consolidou um modelo administrativo voltado à zeladoria urbana, ainda lembrado por parte do eleitorado.

Gestão municipal

O presidente do Legislativo também comentou a atual administração municipal, comandada pelo prefeito Mateus Silva, seu irmão.

Segundo ele, o governo recebeu a cidade em uma situação administrativa delicada e trabalha para reorganizar setores importantes da gestão pública.

Entre os exemplos citados estão ações voltadas à Guarda Civil Municipal e à progressão de carreira dos professores, concedida neste ano.

Críticas ao custo do Estado

Em outro momento da entrevista, o vereador fez críticas ao que considera o alto custo da estrutura do Estado brasileiro.

Durante a conversa, utilizou uma metáfora para explicar o compromisso de um mandato político.

“O eleitor leva cerca de 30 segundos para votar. Mas quem é eleito precisa pagar esse voto em um carnê de 48 meses de trabalho”, disse.

Nova sede da Câmara

Outro tema abordado foi o projeto da nova sede da Câmara Municipal de Caraguatatuba.

Segundo o presidente do Legislativo, o projeto técnico da obra chegou à presidência da Casa na própria segunda-feira (2), o que deve permitir o início do processo licitatório.

A proposta, segundo ele, é construir uma estrutura planejada para atender às necessidades da Câmara pelos próximos anos.

Representatividade regional

Ao final da entrevista, o vereador avaliou também o cenário político do Litoral Norte paulista.

Na visão do presidente da Câmara, a falta de articulação entre os prefeitos da região acaba enfraquecendo a representatividade política do litoral nas disputas por cargos estaduais e federais.

Segundo ele, essa fragmentação abre espaço para candidaturas que aparecem na região apenas durante o período eleitoral e que não mantêm atuação permanente nas demandas locais.



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